Um mistério em poesia
- L. G. Lopes

- 10 de mar. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de abr. de 2025
Estranho esse depoimento,
Me parece fingimento.
Como o suspeito estaria
Presente ali naquele dia?
Esta foto deve ser montagem,
Parece caso de chantagem.
Ele declara-se culpado,
Para ser recompensado.
Não vamos cair nessa,
Te faço uma promessa:
Irei atrás da verdade,
Não tolero impunidade.
Vamos juntar os fatos,
Tragam os outros relatos.
E o que disse a perícia,
Havia um pedaço de pizza?
Hm, então tinha veneno
Em um só pedaço,
Um bem pequeno.
Indica ser apenas um alvo
Seria mesmo o homem calvo?
Com oito pedaços à frente,
Por que ele pegou o com presente?
Ou lhe serviram na mesa
Ou agiram com presteza.
Um dos quatro tinha alergia?
Ou algo que não comeria?
Algum registro de briga?
Sabe de qualquer intriga?
Certo, e das digitais?
No pegador e talher eram iguais?
Opa, opa, temos um achado
O entregador não é o culpado
Chame os outros três,
Vamos acabar de uma vez.
Muito bem, se sentem,
Ao menos dois aqui mentem.
Primeiro o entregador,
Que não tinha motivos
Para envenenar sem pudor.
Topou a acusação,
Fez toda a encenação,
Não temia a prisão,
Tudo para molhar a mão.
Porém, se esqueceu,
Que a foto da câmera,
Se fosse naquele horário,
Iria se adaptar ao breu.
Era nítida e de dia,
Sem contar que, até a janta,
A pizza esfriaria.
Mas se não era ele,
Quem o pagaria?
Em segundo vem a filha,
Toda sem paciência,
Vive numa pilha.
Queria por acaso
A herança da família?
Não, ela não faria mal,
Era do tipo de briga
Que para a idade é normal.
Não justificariam
Um ato como o tal.
Agora, senhorita, o seu namorado
O rapaz com cara de abestado
Poderia também por herança
Mas nele não pus esperança
Uma execução dessas,
Tão calculada,
Não, ele só faria lambança
Sei que isso não justifica
Mas não viemos perder tempo
Com aquilo que não edifica.
Chegamos enfim à amante,
E entendo a surpresa de vocês nesse instante.
Ela é sim sua mãe,
Mas a verdadeira esposa
Era uma cartomante.
A senhora há tempos já sabia,
Mas por medo se iludia,
Acreditava que um dia,
Ele a abandonaria.
Porém, naquela tarde,
Ao ler uma mensagem,
A senhora se tomou de alarde.
Com a outra ele iria embora,
Para longe, tinha data e hora.
Tomada por amor, dor e calor,
Desamparada, pingou o veneno
No seu preferido sabor.
Acalme-se, senhora,
A prova não mente.
Ele gostava de azeitonas
E ficou todo contente:
Viu em um só pedaço
Mais de uma aparente.
Se as colocasse com garfo
Deixaria marcas de dente.
Preferiu movê-las com o dedo
E sua digital ficou evidente.

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