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Um mistério em poesia

Atualizado: 13 de abr. de 2025


Estranho esse depoimento,

Me parece fingimento.

Como o suspeito estaria

Presente ali naquele dia?

Esta foto deve ser montagem,

Parece caso de chantagem.

Ele declara-se culpado,

Para ser recompensado.

Não vamos cair nessa,

Te faço uma promessa:

Irei atrás da verdade,

Não tolero impunidade.

Vamos juntar os fatos,

Tragam os outros relatos.



E o que disse a perícia,

Havia um pedaço de pizza?

Hm, então tinha veneno

Em um só pedaço,

Um bem pequeno.

Indica ser apenas um alvo

Seria mesmo o homem calvo?

Com oito pedaços à frente,

Por que ele pegou o com presente?

Ou lhe serviram na mesa

Ou agiram com presteza.

Um dos quatro tinha alergia?

Ou algo que não comeria?

Algum registro de briga?

Sabe de qualquer intriga?

Certo, e das digitais?

No pegador e talher eram iguais?



Opa, opa, temos um achado

O entregador não é o culpado

Chame os outros três,

Vamos acabar de uma vez.



Muito bem, se sentem,

Ao menos dois aqui mentem.



Primeiro o entregador,

Que não tinha motivos

Para envenenar sem pudor.

Topou a acusação,

Fez toda a encenação,

Não temia a prisão,

Tudo para molhar a mão.

Porém, se esqueceu,

Que a foto da câmera,

Se fosse naquele horário,

Iria se adaptar ao breu.

Era nítida e de dia,

Sem contar que, até a janta,

A pizza esfriaria.

Mas se não era ele,

Quem o pagaria?



Em segundo vem a filha,

Toda sem paciência,

Vive numa pilha.

Queria por acaso

A herança da família?

Não, ela não faria mal,

Era do tipo de briga

Que para a idade é normal.

Não justificariam

Um ato como o tal.



Agora, senhorita, o seu namorado

O rapaz com cara de abestado

Poderia também por herança

Mas nele não pus esperança

Uma execução dessas,

Tão calculada,

Não, ele só faria lambança

Sei que isso não justifica

Mas não viemos perder tempo

Com aquilo que não edifica.



Chegamos enfim à amante,

E entendo a surpresa de vocês nesse instante.

Ela é sim sua mãe,

Mas a verdadeira esposa

Era uma cartomante.

A senhora há tempos já sabia,

Mas por medo se iludia,

Acreditava que um dia,

Ele a abandonaria.

Porém, naquela tarde,

Ao ler uma mensagem,

A senhora se tomou de alarde.

Com a outra ele iria embora,

Para longe, tinha data e hora.

Tomada por amor, dor e calor,

Desamparada, pingou o veneno

No seu preferido sabor.



Acalme-se, senhora,

A prova não mente.

Ele gostava de azeitonas

E ficou todo contente:

Viu em um só pedaço

Mais de uma aparente.

Se as colocasse com garfo

Deixaria marcas de dente.

Preferiu movê-las com o dedo

E sua digital ficou evidente.



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L. G. Lopes | 2025

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